Sexta feira, dia 31/01/2014, tivemos um evento climático que eu nem sei como foi classificado, mas que deixou destruição por todos os lados... Falou-se em ventos de mais de 150km/h e isso é demais... Muita chuva e também granizo marcou esta ultima sexta feira.
Como toda tragédia, a gente acaba achando que só existe na TV e que nunca, jamais, em hipótese alguma, vai acontecer com a gente. Mas tive a prova que sim, acontece...
Quando começa a chover forte, ou ventar, ou qualquer coisa que seja um sinal de tempo ruim, eu ligo e mando mensagem pras pessoas que eu me preocupo, pra cuidarem na rua, pra saber onde estão, mas sexta não deu tempo!!
Quando vimos o mal tempo se aproximando, só deu tempo de fechar o portão da fabrica que ainda estava aberto, e torcer pra não acontecer nada demais. Como o prédio tem muitas janelas no alto, ficamos observando o vento e comentando que seria forte, pedindo pra Deus que não viessem estragos, mas vieram...
Só vi o eitão lateral da parede caindo! Foi assustador!
Gritei pra minha mãe e ela correu em desespero, na hora não entendi porque ela sairia correndo na chuva em meio aquele vento, mas logo caiu a ficha: a parede caiu em cima da casa dos vizinhos que cuidam de crianças!
O instinto dela foi de ajudar, e mais uma vez minha heroína me surpreendeu.
Eu entrei em panico, de verdade, eu me desesperei...
Meu pai estava na rua, tinha saído a pouco de carro, meus irmãos não estavam em casa, meu namorado ainda no trabalho em Guaíba, e os telefones impossibilitados de realizar ou receber chamadas. Nem contato com os bombeiros eu consegui, pois naquela hora, pensei no pior, e só torcia pra não ter ninguém embaixo dos escombros que a parede deixou no chão...
Foi questão de minutos e a cidade estava transformada! Tudo pelo chão, sem luz, água ou telefone. O desespero nos olhos de todos, e só más noticias chegavam... Locais que foram destelhados, paredes que caíram, arvores pelo chão, foi tudo muito traumático pra quem viveu, e este texto não deixa de ser um desabafo de quem não acreditava que coisas assim pudessem acontecer tão perto da gente.
Fico pensando em amigos que ainda não consegui falar, pessoas que eu as vezes nem tenha mais tanto contato, mas que sei que morre de medo de chuva e vento, e nos parentes de fora, que viram pelo jornal e não tinham como entrar em contato pra ter noticias da gente.
Quando percebi o que tinha acontecido aqui, foi terrível, mas quando percebi que não foi só aqui, foi pior...
Acho que reclamar quando você acha que só seu problema é valido, é mais fácil... Não tinha como se queixar de uma parede, se tinham pessoas que não podiam voltar pra casa, se tinha gente com criança debaixo de casas destelhadas e alagadas. Era só pedir pra Deus consolo e reerguer.
No sábado conseguimos com ajuda de muita gente levantar e colocar no lugar a casa da vizinha, jamais vai voltar a ser como era, mas a ajuda de quem estava de fora, ajudou tanto o material, como o emocional de todos nós. Foi incrível ver tanta gente disposta a colaborar com qualquer ajuda que fosse. Foi triste ver que em alguns lugares, por mais ajuda que se teve, ainda estarem em situação perigosa. Amigos ainda estão reconstruindo, e prejuízos sendo contabilizados, mas o bem maior ainda esta de pé: A vida de cada um.
Ouviu-se boatos muito rápidos de mortes, mas nada foi confirmado. Então, num evento deste tamanho, só temos a agradecer a Deus, por tudo o que ficou no lugar.
Ainda temos pessoas sem água, sem luz e sem telefone, que estão reclamando (e com razão) e protestando (sem tanta razão assim), mas estão todos vivos e isso é o que importa no final.
Os esforços ainda estão sendo vistos, e pelo jeito por algum tempo, mas tudo voltará ao normal em breve.
Que não precisemos ver tamanha destruição tão de perto novamente, peço por mim e por todos que passaram por algum tipo de trauma.
E nós aqui ainda tentando entender, como isso aconteceu:
Da rua lateral esta era a visão...
Da frente da casa da Tia Ana...
Esse era o quarto dela, tudo veio abaixo!
São imagens que vão ficar na memoria pra sempre...
Uma parte da parede ainda ficou presa no telhado da casa dela por algum tempo, mas depois acabou de cair!
